quarta-feira, 4 de março de 2026

Entre a Liberdade Individual e os Limites da Lei: Tatuagens, Preconceito e Responsabilidade Social


 Ao longo dos últimos anos, tenho lido inúmeras reportagens e artigos acerca de tatuagens, piercings e outras formas de modificação corporal consideradas, por muitos, como expressões radicais de identidade. Trata-se de um fenômeno social em expansão, especialmente entre os jovens, que encontram nesses recursos uma forma legítima de manifestação estética, cultural e subjetiva.

Entretanto, no universo empresarial, ainda persiste um certo tabu em relação ao profissional que ostenta múltiplas tatuagens, sobretudo quando visíveis. Embora o discurso predominante sustente que a competência técnica, a ética e a produtividade devam prevalecer sobre a aparência, é inegável que, na prática, tais valores frequentemente se entrelaçam no momento da contratação. A imagem pessoal, consciente ou inconscientemente, continua sendo utilizada como critério de avaliação, revelando resquícios de um julgamento pautado em padrões estéticos tradicionais.

Nesse contexto, surge uma questão relevante: até que ponto tatuagens e piercings se tornam um “peso” na trajetória profissional? Estaríamos diante de um preconceito velado, de uma resistência cultural ou de uma preocupação legítima com a imagem institucional? A linha que separa liberdade individual e expectativa social ainda é tênue e permeada por controvérsias.

O debate torna-se ainda mais sensível quando se trata de tatuagens em áreas extremas do corpo, como o rosto e, especialmente, os olhos. A chamada tatuagem na esclera  procedimento que consiste na pigmentação da parte branca do globo ocular  tem ganhado visibilidade, mas também suscitado sérias preocupações médicas. A comunidade científica alerta para os riscos envolvidos, que incluem infecções graves, uveíte, catarata, glaucoma e, em casos mais severos, perda parcial ou total da visão. Diferentemente da tatuagem tradicional na pele, trata-se de uma intervenção de alta complexidade e potencialmente irreversível.

Diante desses riscos, já tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 5.790/2013, que propõe a proibição da tatuagem na esclera ocular, fundamentando-se em razões de saúde pública. A proposta reacende o debate sobre os limites da autonomia individual frente à proteção do próprio corpo e à responsabilidade do Estado em prevenir danos irreversíveis.

No que se refere às tatuagens no rosto, a discussão assume outra dimensão. Para alguns, eventual proibição configuraria uma violação à liberdade de expressão e à manifestação cultural  direitos assegurados constitucionalmente. Para outros, haveria justificativa na tentativa de preservar oportunidades sociais e profissionais, considerando o impacto que tais marcas ainda exercem no imaginário coletivo.

Diante desse cenário, cabe uma reflexão: deveria existir uma legislação que proibisse tatuagens nos olhos e no rosto por razões estéticas e de saúde? Ou tal medida representaria uma interferência excessiva na autonomia individual?

A questão permanece aberta e talvez o ponto central não seja apenas o que a lei deve permitir ou vedar, mas como a sociedade pode evoluir para conciliar liberdade, responsabilidade e respeito às diferenças.

terça-feira, 3 de março de 2026

Entre a Invisibilidade e a Indecisão: Um Relato Sobre Amor, Vergonha e Relações Tóxicas

 


Aos 27 anos, movida pela coragem de quem acredita na sinceridade dos próprios sentimentos, declarei-me a um amigo por quem nutria afeto há algum tempo. Ele era evangélico, eu católica, diferença que, para mim, jamais representaria obstáculo. A resposta demorou quase um dia. No silêncio, preparei-me para a rejeição. Mas ela não veio. O namoro começou.

No início, encontrávamo-nos com frequência antes das aulas, pois estudávamos  em universidades próximas. A rotina parecia leve. Contudo, gradualmente, um terceiro nome passou a habitar nossas conversas com constância: Jéssica, colega de ministério infantil na igreja dele. Ele a elogiava com frequência, mencionava projetos conjuntos, ensaios, eventos. A princípio, não vi problema. A convivência religiosa justificava a proximidade.

O desconforto surgiu não pelas palavras, mas pelas entrelinhas.

Os finais de semana raramente eram nossos. Ele estava sempre envolvido com compromissos da igreja. Quando pedi para assistir a um ensaio, ouvi que eu me sentiria deslocada. Aceitei. Não queria parecer insegura.

Um dia, ao mostrar-me fotos de um evento realizado na igreja, percebi um suspiro ao contemplar a imagem dela. Pequenos gestos têm o poder de revelar grandes verdades. A partir dali, minha intuição despertou.

Vieram as ligações atendidas na minha frente, as conversas prolongadas enquanto eu aguardava em silêncio, até o momento em que, exausta da indiferença, anunciei que iria embora. Ele negava qualquer envolvimento além da amizade e justificava a frequência dos contatos como necessidade organizacional.

Mas os sinais se acumulavam. E a cada evento a desconfiança mais se confirmava!

Fui convidada para o aniversário da sobrinha dela, e ali vivi constrangimentos difíceis de esquecer. Não fui apresentada como namorada, apenas pelo nome. A repetição desse detalhe, diante de cada pessoa que chegava, desenhava um cenário claro: eu existia, mas não ocupava o lugar que deveria.

Na festa, ela o chamou discretamente com um gesto íntimo. Ele suspirou ao vê-la. Não houve hostilidade explícita, apenas aquela sensação incômoda de estar onde não se é prioridade.

O episódio mais emblemático ocorreu quando ele me informou que participaria como par dela em um casamento de amigos. Não houve consulta, apenas comunicado. Em outra ocasião, justificou que não poderia me dar um presente em determinada data porque precisava presentear Jéssica em seu aniversário(presente que eu nunca pedi). A naturalidade com que disse aquilo ecoou como desrespeito.

Fui deixada esperando na chuva em um dia combinado. Fui tratada com frieza em mensagens. Fui silenciada em espaços públicos, inclusive quando encontrou o próprio pastor da igreja que ele frequentava e não me apresentou.

Havia ali algo mais profundo que indecisão: havia vergonha.

Seis meses depois, no mesmo dia em que compartilhei a conquista de um estágio na minha área, ele encerrou o relacionamento dizendo que não daria certo. Chorei no banheiro da universidade, tentando compreender o que, no fundo, eu já sabia. Desfiz a amizade que tinha com ele em rede social, mas com o ego inflamado ele solicitou novamente! Eu tola aceitei!

Pouco tempo depois, ele oficializou publicamente o relacionamento com ela, com foto e declaração extensa, algo que jamais fizera comigo.

A suspeita transformou-se em confirmação.

Anos mais tarde, compreendi: não perdi um amor. Livrei-me de uma relação onde eu ocupava o lugar de transição, não de escolha. Onde minha presença era tolerada, não celebrada. Onde havia comparação silenciosa e, possivelmente, preconceito religioso velado que nunca foi assumido com honestidade.

Relacionamentos tóxicos nem sempre se manifestam por agressões explícitas. Às vezes, eles se revelam na invisibilidade, na ausência de orgulho, na constante sensação de ser menos.

Hoje, não há saudade. Não há desejo de retomada. Nem mesmo amizade.

Há apenas a consciência de que ninguém merece ser opção enquanto outro ocupa o coração de quem diz amar.

Se algo nessa história me ensinou, foi isto: quando alguém tem vergonha de nos apresentar ao mundo, não é o mundo que deve ser questionado, é o vínculo.

E vínculos precisam de escolha clara, não de silêncio constrangedor.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Gostaria de deixar aqui minha última homenagem ao meu Padrinho!

 Hoje me despeço de você com um nó no peito e uma gratidão que o tempo não apagou.

Você não foi apenas meu padrinho de batismo,foi abrigo, foi presença, foi cuidado. Desde os meus seis anos, você me ensinou, sem precisar dizer, o que era ser filha pelo afeto, pelo cotidiano, pelo amor que se constrói em silêncio.


A vida nos levou por caminhos difíceis. A doença chegou, a memória se tornou frágil, e junto dela vieram ruídos que não nasceram de nós dois. Vieram da incompreensão, do orgulho, da necessidade de afirmar laços pelo sobrenome e não pelo cuidado. Eu tentei ficar. Pensei em como cuidar, em como proteger, em como retribuir tudo o que você foi para mim. Mas havia limites humanos, limites físicos, limites emocionais e eu precisei recuar para não me perder inteira.


Nunca me afastei por falta de amor. Afastei-me para sobreviver à dor de ser diminuída, de ter meus sentimentos invalidados, de ver o afeto tratado como algo menor por não estar escrito em papel algum. Mas o que vivemos nunca precisou de registro oficial para ser real.


Doeu não estar presente nos últimos anos. Dói saber que o tempo nos separou quando eu mais queria estar perto. Dói saber que você partiu e eu não pude me despedir como gostaria. Ainda assim, levo comigo a certeza de que fiz o que pude, com o coração limpo e a consciência em paz.


Se existe um lugar onde a memória não falha e o amor não é questionado, espero que você esteja lá agora, ao lado de quem também te amou. Eu sigo aqui, com saudade, com respeito, e com a serenidade de quem sabe que alguns vínculos são eternos, mesmo quando a vida insiste em interrompê-los.




Obrigada por ter sido casa para mim.

Despeço-me com amor e gratidão.

Sei que Deus guardou um lugar especial pra você 🕊️

⭐24/05/1955✝️03/02/2026

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Amor, uma revelação inesperada

 Era uma garota reservada; não buscava conversas, tampouco se sentia à vontade entre estranhos. Amava, antes de tudo, a própria solitude. As pessoas ao seu redor jamais a compreenderam por completo. Verônica dedicara-se aos estudos durante toda a vida e, ao contrário das irmãs, que tiveram namoradinhos cedo e acabaram se tornando mães solteiras ainda muito jovens, jamais se deixou levar por romances apressados.

Certo dia, enquanto caminhava distraidamente por uma livraria silenciosa, uma moça lhe chamou intensamente a atenção. Era jovem, de cabelos ondulados em um castanho claro suave, olhos cor de mel e um vestido florido que lhe conferia um ar leve e jovial. Ao perceber que estava sendo observada, a desconhecida esboçou um sorriso discreto. Verônica, tomada por um súbito constrangimento, desviou o olhar rapidamente.

No entanto, quando menos esperava, a moça aproximou-se com naturalidade e quebrou o silêncio entre elas:

— Oi… você sempre lê literatura clássica? — disse, apontando para os livros em suas mãos. — Não pude deixar de perceber que está à procura de um livro de aventura.

Verônica sentiu o coração acelerar. Surpresa, ergueu o olhar com cautela e respondeu em tom baixo, quase tímido:

— Gosto de histórias que me levem para longe… lugares onde a realidade não me alcança tão facilmente.

A moça sorriu novamente, agora com mais intensidade, como se tivesse encontrado algo familiar naquela resposta.

— Então temos algo em comum — afirmou. — Às vezes, fugir pelas páginas é a forma mais honesta de se encontrar.

E, entre estantes repletas de palavras e silêncios compartilhados, algo começou a nascer, delicado, inesperado e profundamente transformador.

Verônica sentiu-se profundamente tocada pela maneira como a moça falava. Havia algo em sua voz, uma suavidade firme, quase íntima, que lhe atravessou os sentidos sem pedir permissão. Em seguida, a jovem sorriu e apresentou-se com naturalidade:

— Meu nome é Jéssica. Trabalho aqui perto… sou biomédica.

Verônica permaneceu em silêncio por alguns segundos, tentando compreender o que, de fato, estava acontecendo. Os pensamentos se atropelavam em sua mente; tudo parecia confuso, inesperado, fora de qualquer roteiro que ela conhecesse. Nunca fora boa em lidar com surpresas, muito menos com pessoas que surgiam assim, despertando emoções que ela jamais aprendera a nomear.

Antes que pudesse organizar uma resposta coerente, Jéssica, com um gesto espontâneo e quase despretensioso, fez-lhe um convite:

— Que tal um café? Aqui mesmo na livraria.

O convite pairou no ar como uma provocação suave. Verônica hesitou. Parte dela queria recuar, voltar ao conforto do silêncio e dos livros; outra parte, recém-desperta, sentia uma curiosidade inquieta — uma vontade estranha e nova de permanecer.

Sem saber exatamente por quê, assentiu com um leve movimento de cabeça.

E, naquele instante singelo, entre o aroma do café recém-passado e páginas ainda não lidas, Verônica pressentiu que algo em sua vida começava, silenciosamente, a mudar.

O tempo foi passando, e Jéssica e Verônica, aos poucos, foram se conhecendo. Entre cafés despretensiosos, conversas que começavam tímidas e silêncios que já não causavam desconforto, Verônica passou a compreender não apenas aquela situação inesperada, mas também aspectos de si mesma que sempre estiveram adormecidos.


Cada encontro revelava algo novo, em Jéssica, uma presença acolhedora; em si, uma sensibilidade que jamais tivera coragem de explorar. Pela primeira vez, Verônica percebeu que viver não precisava ser solitário para ser verdadeiro.

Ela se apaixonou por Jéssica de forma silenciosa e profunda. A certeza veio no instante do primeiro beijo: um toque suave, quase hesitante, mas carregado de significado. Não houve pressa, nem excesso — apenas a clareza absoluta de que aquele gesto simples dizia tudo o que as palavras nunca conseguiriam expressar.

Naquele beijo, Verônica entendeu. Não era apenas amor por Jéssica; era, finalmente, amor pela própria vida que começava a se revelar diante dela. Assumir sua identidade e aceitar que ela não era uma pessoa comum, um padrão da sociedade! No fundo Verônica sempre soube que era diferente, mas nunca quis assumir para si mesma!

Os Três felinos de Maria

 

Entre longos bigodes brilhantes e olhares curiosos,

Três gatos espreguiçam-se sob a luz do dia

Um negro como a noite, olhos cor de lua,

mistura-se ao sol, com nítida preguiça felina

Seu miado agudo, estridente e comumente

avisa sobre sua chegada na cozinha de Maria

O segundo, malhado como um tigre,

Brinca com os calangos da casa vizinha

Ataca as lagartixas em cima do muro e faz malabarismo para alcançar as

Borboletas que voam flutuando com suaves movimentos

Nas folhagens da Begônia Maculada camuflam

Seus olhos verdes como esmeraldas

que ornam com as plantas exaltando sua beleza

e grandeza de bichano soberano

O terceiro, uma menina, doida e medrosa,

observa o mundo com olhar desconfiado e desafiador

Sua pelagem cinza clara com manchas brancas mostra sua graciosidade

Seu focinho branco e o nariz rosa destacam a sua beleza feminina

Ela explora a casa com sagacidade,

se move como poesia e mostra seu encanto de felina

À noite, dormem juntinhos espalhados pelo sofá da sala

expressam nas carinhas o prazer pelo conforto

parecendo belas escultaras, embelezam o ambiente

 enriquecido com a perfeição de cada um

verdadeiras obras de arte que respiram

e suspiram pela gratidão do lar

by Edileide Machado Souza

 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

#Justiça pelo orelha


 É paradoxal, e profundamente perturbador, que indivíduos rotulados como “adolescentes” demonstrem plena capacidade de cometer atos de extrema crueldade, como matar um cão que não oferecia qualquer ameaça, e ainda assim sejam tratados como crianças incapazes de responder por seus próprios crimes. Trata-se, em muitos casos, de jovens privilegiados, amparados por um sistema falido, incoerente e seletivo, que confunde proteção com impunidade.


Não se trata de um episódio isolado ou de um “desvio momentâneo”. O assassinato do cão conhecido como Orelha foi apenas um entre outros atos de violência praticados pelos mesmos delinquentes, que dias antes já haviam tentado matar outro cão por afogamento, não obtendo êxito porque o inocente conseguiu fugir. Isso revela não apenas intenção, mas reincidência, frieza e prazer na prática da crueldade, elementos incompatíveis com a ideia de ingenuidade ou imaturidade moral.

Até quando o Brasil continuará a relativizar crimes bárbaros sob o pretexto da idade? Não estamos falando de crianças inocentes, alheias às consequências de seus atos, mas de indivíduos plenamente conscientes do que fazem, capazes de distinguir o certo do errado e, ainda assim, escolher a violência como forma de entretenimento. A crueldade não é um erro infantil; é uma escolha. E um sistema que se recusa a reconhecê-la como tal não protege a sociedade, apenas legitima a impunidade.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

A Última Noite de Outubro

 O vento sibilava entre as frestas da janela, e o outono espalhava folhas secas pelo quintal. Dentro da casa antiga, Sonia acendia velas. O relógio marcava meia-noite. Halloween.

Fazia exatos três anos desde que Sabrina partira ,quinze anos, um riso doce e um tumor cruel que a levou rápido demais. Desde então, o mundo perdera a cor para Sonia. Vivia entre fotos, lembranças e o perfume que a irmã deixara impregnado nos lençóis.

Mas naquela noite, Sonia não queria apenas lembrar.
Ela queria ver.
Nem que fosse uma vez.
Nem que custasse caro.

Na mesa, dispunha objetos como aprendera em um livro antigo que encontrara num sebo: uma vela preta, uma branca, uma mecha do próprio cabelo e o colar que pertencia a Sabrina. Ajoelhou-se, o coração acelerado.

Só por uma noite... — sussurrou.

As chamas vacilaram. O ar pareceu engrossar. O silêncio da casa se tornou pesado, como se o tempo tivesse parado para observar o que ela fazia

Um frio percorreu-lhe a espinha.
E então, um sussurro.
Baixo. Familiar.
— “Sonia...”

O colar de Sabrina tremia sobre a mesa. As velas se inclinaram na direção da voz. Sonia sentiu o ar rarefeito, o chão girar. De repente, ela não estava mais na sala , ou estava, mas o ambiente era outro: a luz era azulada, as paredes pareciam respirar.

Diante dela, uma figura surgia.
Rosto pálido, cabelos soltos, olhos meigos.
Era Sabrina.

Irmãzinha... é você? — perguntou Sonia, chorando.

Sabrina sorriu, mas seus olhos traziam uma melancolia que Sonia nunca vira.
— “Eu senti sua falta, mas você não devia ter me chamado. Aqui não é lugar para vivos.”

Sonia se lançou para abraçá-la, mas o corpo de Sabrina era feito de névoa. A sensação foi gelada, como se o toque drenasse sua própria força.
Só mais um abraço, por favor! — implorou Sonia.

— “Você me prende quando não me deixa ir...” — respondeu a irmã, com a voz distante, quase como o vento entre árvores. — “Eu estou em paz. Mas você, Sonia... está presa ao que já morreu.”

Sonia caiu de joelhos, soluçando.
A imagem de Sabrina começou a se desfazer, e a luz das velas tremeluziu até se apagar.

Quando a escuridão tomou conta, apenas o colar ficou sobre a mesa agora quente, como se guardasse o calor de um último toque.

Na manhã seguinte, os vizinhos encontraram Sonia dormindo no chão da sala, com um leve sorriso no rosto e o colar entre os dedos. Pela primeira vez em anos, parecia tranquila.

Dizem que, naquela noite, alguém ouviu risadas de meninas ecoando pelo quintal  uma delas, doce e viva, como a de Sabrina.


Um pequeno conto para vocês que amam o Halloween.


Entre a Liberdade Individual e os Limites da Lei: Tatuagens, Preconceito e Responsabilidade Social

 Ao longo dos últimos anos, tenho lido inúmeras reportagens e artigos acerca de tatuagens, piercings e outras formas de modificação corporal...