sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Gostaria de deixar aqui minha última homenagem ao meu Padrinho!

 Hoje me despeço de você com um nó no peito e uma gratidão que o tempo não apagou.

Você não foi apenas meu padrinho de batismo,foi abrigo, foi presença, foi cuidado. Desde os meus seis anos, você me ensinou, sem precisar dizer, o que era ser filha pelo afeto, pelo cotidiano, pelo amor que se constrói em silêncio.


A vida nos levou por caminhos difíceis. A doença chegou, a memória se tornou frágil, e junto dela vieram ruídos que não nasceram de nós dois. Vieram da incompreensão, do orgulho, da necessidade de afirmar laços pelo sobrenome e não pelo cuidado. Eu tentei ficar. Pensei em como cuidar, em como proteger, em como retribuir tudo o que você foi para mim. Mas havia limites humanos, limites físicos, limites emocionais e eu precisei recuar para não me perder inteira.


Nunca me afastei por falta de amor. Afastei-me para sobreviver à dor de ser diminuída, de ter meus sentimentos invalidados, de ver o afeto tratado como algo menor por não estar escrito em papel algum. Mas o que vivemos nunca precisou de registro oficial para ser real.


Doeu não estar presente nos últimos anos. Dói saber que o tempo nos separou quando eu mais queria estar perto. Dói saber que você partiu e eu não pude me despedir como gostaria. Ainda assim, levo comigo a certeza de que fiz o que pude, com o coração limpo e a consciência em paz.


Se existe um lugar onde a memória não falha e o amor não é questionado, espero que você esteja lá agora, ao lado de quem também te amou. Eu sigo aqui, com saudade, com respeito, e com a serenidade de quem sabe que alguns vínculos são eternos, mesmo quando a vida insiste em interrompê-los.




Obrigada por ter sido casa para mim.

Despeço-me com amor e gratidão.

Sei que Deus guardou um lugar especial pra você 🕊️

⭐24/05/1955✝️03/02/2026

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Amor, uma revelação inesperada

 Era uma garota reservada; não buscava conversas, tampouco se sentia à vontade entre estranhos. Amava, antes de tudo, a própria solitude. As pessoas ao seu redor jamais a compreenderam por completo. Verônica dedicara-se aos estudos durante toda a vida e, ao contrário das irmãs, que tiveram namoradinhos cedo e acabaram se tornando mães solteiras ainda muito jovens, jamais se deixou levar por romances apressados.

Certo dia, enquanto caminhava distraidamente por uma livraria silenciosa, uma moça lhe chamou intensamente a atenção. Era jovem, de cabelos ondulados em um castanho claro suave, olhos cor de mel e um vestido florido que lhe conferia um ar leve e jovial. Ao perceber que estava sendo observada, a desconhecida esboçou um sorriso discreto. Verônica, tomada por um súbito constrangimento, desviou o olhar rapidamente.

No entanto, quando menos esperava, a moça aproximou-se com naturalidade e quebrou o silêncio entre elas:

— Oi… você sempre lê literatura clássica? — disse, apontando para os livros em suas mãos. — Não pude deixar de perceber que está à procura de um livro de aventura.

Verônica sentiu o coração acelerar. Surpresa, ergueu o olhar com cautela e respondeu em tom baixo, quase tímido:

— Gosto de histórias que me levem para longe… lugares onde a realidade não me alcança tão facilmente.

A moça sorriu novamente, agora com mais intensidade, como se tivesse encontrado algo familiar naquela resposta.

— Então temos algo em comum — afirmou. — Às vezes, fugir pelas páginas é a forma mais honesta de se encontrar.

E, entre estantes repletas de palavras e silêncios compartilhados, algo começou a nascer, delicado, inesperado e profundamente transformador.

Verônica sentiu-se profundamente tocada pela maneira como a moça falava. Havia algo em sua voz, uma suavidade firme, quase íntima, que lhe atravessou os sentidos sem pedir permissão. Em seguida, a jovem sorriu e apresentou-se com naturalidade:

— Meu nome é Jéssica. Trabalho aqui perto… sou biomédica.

Verônica permaneceu em silêncio por alguns segundos, tentando compreender o que, de fato, estava acontecendo. Os pensamentos se atropelavam em sua mente; tudo parecia confuso, inesperado, fora de qualquer roteiro que ela conhecesse. Nunca fora boa em lidar com surpresas, muito menos com pessoas que surgiam assim, despertando emoções que ela jamais aprendera a nomear.

Antes que pudesse organizar uma resposta coerente, Jéssica, com um gesto espontâneo e quase despretensioso, fez-lhe um convite:

— Que tal um café? Aqui mesmo na livraria.

O convite pairou no ar como uma provocação suave. Verônica hesitou. Parte dela queria recuar, voltar ao conforto do silêncio e dos livros; outra parte, recém-desperta, sentia uma curiosidade inquieta — uma vontade estranha e nova de permanecer.

Sem saber exatamente por quê, assentiu com um leve movimento de cabeça.

E, naquele instante singelo, entre o aroma do café recém-passado e páginas ainda não lidas, Verônica pressentiu que algo em sua vida começava, silenciosamente, a mudar.

O tempo foi passando, e Jéssica e Verônica, aos poucos, foram se conhecendo. Entre cafés despretensiosos, conversas que começavam tímidas e silêncios que já não causavam desconforto, Verônica passou a compreender não apenas aquela situação inesperada, mas também aspectos de si mesma que sempre estiveram adormecidos.


Cada encontro revelava algo novo, em Jéssica, uma presença acolhedora; em si, uma sensibilidade que jamais tivera coragem de explorar. Pela primeira vez, Verônica percebeu que viver não precisava ser solitário para ser verdadeiro.

Ela se apaixonou por Jéssica de forma silenciosa e profunda. A certeza veio no instante do primeiro beijo: um toque suave, quase hesitante, mas carregado de significado. Não houve pressa, nem excesso — apenas a clareza absoluta de que aquele gesto simples dizia tudo o que as palavras nunca conseguiriam expressar.

Naquele beijo, Verônica entendeu. Não era apenas amor por Jéssica; era, finalmente, amor pela própria vida que começava a se revelar diante dela. Assumir sua identidade e aceitar que ela não era uma pessoa comum, um padrão da sociedade! No fundo Verônica sempre soube que era diferente, mas nunca quis assumir para si mesma!

Os Três felinos de Maria

 

Entre longos bigodes brilhantes e olhares curiosos,

Três gatos espreguiçam-se sob a luz do dia

Um negro como a noite, olhos cor de lua,

mistura-se ao sol, com nítida preguiça felina

Seu miado agudo, estridente e comumente

avisa sobre sua chegada na cozinha de Maria

O segundo, malhado como um tigre,

Brinca com os calangos da casa vizinha

Ataca as lagartixas em cima do muro e faz malabarismo para alcançar as

Borboletas que voam flutuando com suaves movimentos

Nas folhagens da Begônia Maculada camuflam

Seus olhos verdes como esmeraldas

que ornam com as plantas exaltando sua beleza

e grandeza de bichano soberano

O terceiro, uma menina, doida e medrosa,

observa o mundo com olhar desconfiado e desafiador

Sua pelagem cinza clara com manchas brancas mostra sua graciosidade

Seu focinho branco e o nariz rosa destacam a sua beleza feminina

Ela explora a casa com sagacidade,

se move como poesia e mostra seu encanto de felina

À noite, dormem juntinhos espalhados pelo sofá da sala

expressam nas carinhas o prazer pelo conforto

parecendo belas escultaras, embelezam o ambiente

 enriquecido com a perfeição de cada um

verdadeiras obras de arte que respiram

e suspiram pela gratidão do lar

by Edileide Machado Souza

 

Gostaria de deixar aqui minha última homenagem ao meu Padrinho!

 Hoje me despeço de você com um nó no peito e uma gratidão que o tempo não apagou. Você não foi apenas meu padrinho de batismo,foi abrigo, f...